23 de março de 2017

 
      

Novo modelo inverterá relação entre atores da Saúde Suplementar

Proposta foi apresentada em seminário para gestores, profissionais de saúde, representantes de operadoras e de consumidores. Piloto será testado na Bahia.

Um novo modelo de funcionamento e operação para a Saúde Suplementar foi apresentado ontem à tarde, quinta, 23/03, durante o  talk show  “O valor ao paciente no cenário de crise da Saúde Suplementar: em busca de soluções”, em seminário realizado pela Associação de Hospitais e Serviços de Saúde da Bahia e Universidade Corporativa, no Mundo Plaza Business Center, Salvador, Bahia.

O modelo, cujo piloto deve ser experimentado na Bahia, traz uma inversão na relação dos atores que compõem o segmento. Por isso, foi intitulado de “capitation reverso” por um grupo que estudou sobre este novo sistema, liderado pelo presidente da Federação Baiana de Saúde da Bahia e vice da Confederação Nacional de Saúde, Marcelo Britto, que fez a apresentação no  talk show,  durante o evento.

Conforme explicou Britto,  a ideia é que o usuário do sistema passe a lidar diretamente com o prestador, e o papel da operadora de saúde seja a venda de redes privadas de serviços, sem precisar ter o contato direto com o usuário - já que o pagamento pelos mesmos será feito diretamente aos estabelecimentos: hospitais, clínicas, laboratórios, que se organizariam em redes por critérios pré-estabelecidos.

Trata-se de uma mudança na prática da relação que existe hoje, em que a operadora precisa lidar com o paciente - apesar de ela não ser a responsável pelos cuidados da saúde do mesmo. Com o novo modelo, os propositores - representantes de estabelecimentos - pretendem abolir práticas que são consideradas prejudiciais para o paciente, tais como tempo de espera para autorizações de procedimentos, procedimentos negados,  over use, entre outros. 

“Só existe um caixa na saúde. O usuário. E hoje, minha receita advém da medicina curativa e não, da preventiva”, explicou Marcelo Britto em sua exposição, citando alguns instrumentos que precisarão ser criados para sustentar a proposta, tais como a remuneração por valor fixo e por vida, em toda a cadeia; a criação de uma Tábua de Ressarcimento; a contratação de uma empresa gestora do grupo e para o grupo, e de um conselho partilhado.

“Esta é a espinha dorsal do que podemos construir para o nosso futuro. Todos os atores precisam aderir a este modelo para mudar o atual cenário, e construirmos, juntos, coisas novas”, disse o presidente da Ahseb, Mauro Duran Adan, que também fez parte do grupo de estudos e abriu o momento-chave da programação do seminário que recebeu o mesmo título do  talk show, toda pensada para o valor ao paciente.

A solução proposta foi elaborada como uma tentativa de contornar a tendência do setor, que é o esgotamento total em, no máximo, seis anos - se os números indicativos, também apresentados por Britto em sua exposição, seguirem a tendência atual. A diretriz principal do novo modelo é alinhar os interesses dos médicos, prestadores, operadoras e usuários, conforme destacou.

O seminário “O valor ao paciente no cenário de crise da Saúde Suplementar: em busca de soluções” aconteceu durante todo o dia de ontem, quinta, 23 de março, no Mundo Plaza Business Center, Caminho das Árvores.  A programação reuniu profissionais que atuam em instituições de Saúde da Bahia debater e buscar soluções  nas diversas temáticas, abordadas em painéis e palestras.  Entre os temas debatidos estiveram a judicialização no setor, as mudanças com as regras na segurança do paciente, os modelos de remuneração.

O evento teve o patrocínio  da Federação Baiana de Saúde (Febase), da Santa Casa de Misericórdia da Bahia por meio do Hospital Santa Izabel, do Instituto de Olhos Freitas, da Teleauditoria, do Hospital Aeroporto e da Síntese – Business to Business. Conta ainda com o apoio da Confederação Nacional de Saúde (CNS), da Associação de Bahiana de Medicina (ABM), do Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado da Bahia (Sindhosba), do Sindicato dos Laboratórios Clínicos e Patológicos do Estado da Bahia (Sindlab) e do Grupo Criarmed.

Na Bahia, a Saúde Suplementar atende a 1.587.299 beneficiários, segundo dados da Agência Nacional de Saúde divulgados em fevereiro de 2017. Cerca de 3% do público assistido por plano de saúde no país e o sexto maior entre os estados. A Saúde ocupa o oitavo lugar em reclamações provenientes de consumidores, segundo ranking divulgado pelo PROCON-BA agora em Março. Outras informações sobre as discussões:   WWW.ahseb.com.br

Contatos: Cannal de Ideias 99988-5313 (Carla Ferreira Moraes), 99698-7516 (Deise Cunha)